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Mensagem do Arcebispo

Mensagem de Dom Moacir na entrega do título de cidadão

Mensagem de Dom Moacir na entrega do título de cidadão Ribeirão-pretano


Mensagem de Dom Moacir na entrega do título de cidadão Ribeirão-pretano
Câmara Municipal de Ribeirão Preto
22 de junho de 2018

Saudações (Autoridades do Legislativo e Executivo).

Minha primeira palavra é de gratidão por este título que hoje me concedido. Agradeço ao Vereador Joao Batista, autor da propositura e a todos os vereadores que aprovaram a iniciativa.

Agradeço a todos que vieram prestigiar este momento, bem como aos que nesses dias enviaram mensagens de congratulações por este evento. A todos, muito obrigado.

Nesses dias fiquei pensando o que dizer aqui nesta noite. E resolvi trazer uma pequena reflexão sobre a participação do cidadão na vida da cidade, a partir da Doutrina Social da Igreja (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 189-191).

A Participação é uma consequência característica do principio de subsidiariedade; ela se exprime, essencialmente, em uma série de atividades mediante as quais o cidadão, como indivíduo ou associado com outros, diretamente ou por meio de representantes, contribui para a vida cultural, econômica, política e social da comunidade civil a que pertence: a participação é um dever a ser conscientemente exercitado por todos, de modo responsável e em vista do bem comum.

Ela não pode ser delimitada ou reduzida a alguns conteúdos particulares da vida social, dada a sua importância para o crescimento, humano antes de tudo, em âmbitos como o mundo do trabalho e as atividades econômicas nas suas dinâmicas internas, a informação e a cultura e, em grau máximo, a vida social e política até aos níveis mais altos. Nesta perspectiva, torna-se imprescindível a exigência de favorecer a participação sobretudo dos menos favorecidos, bem como a alternância dos dirigentes políticos, a fim de evitar que se instaurem privilégios ocultos; é necessária ademais uma forte tensão moral para que a gestão da vida pública seja fruto da corresponsabilidade de cada um em relação ao bem comum.

A participação na vida comunitária não é somente uma das maiores aspirações do cidadão, chamado a exercitar livre e responsavelmente o próprio papel cívico com e pelos outros, mas também uma das pilastras de todos os ordenamentos democráticos, além de ser uma das maiores garantias de permanência da democracia. O governo democrático, com efeito, é definido a partir da atribuição por parte do povo de poderes e funções, que são exercitados em seu nome, por sua conta e em seu favor; é evidente, portanto, que toda democracia deve ser participativa. Isto implica que os vários sujeitos da comunidade civil, em todos os seus níveis, sejam informados, ouvidos e envolvidos no exercício das funções que ela desempenha.

A participação pode ser obtida em todas as possíveis relações entre o cidadão e as instituições: para tanto, particular atenção deve ser dada aos contextos históricos e sociais em que esta pode verdadeiramente atuar-se. A superação dos obstáculos culturais, jurídicos e sociais que não raro se interpõem como verdadeiras barreiras à participação solidária dos cidadãos à sorte da própria comunidade exige uma autêntica obra informativa e educativa. Merecem uma preocupada consideração, neste sentido, todas as atitudes que levam o cidadão a formas participativas insuficientes ou incorretas e à generalizada desafeição por tudo o que concerne à esfera da vida social e política: atente-se, por exemplo, para as tentativas dos cidadãos de “negociar” com as instituições as condições mais vantajosas para si, como se estas últimas estivessem ao serviço das necessidades egoísticas, e para a praxe de limitar-se à expressão da opção eleitoral, chegando também, em muitos casos, a abster-se dela.

Por fim, trago uma palavra do Episcopado brasileiro, do qual sou membro, sobre a participação dos cidadãos, especialmente nos Conselhos de Direitos. Tais Conselhos, previstos pela lei para os níveis municipal, estadual e federal, são um lugar privilegiado de participação dos cristãos leigos e leigas na vida política. Sem a presença dos leigos e leigas nestes conselhos perdemos, por omissão, a chance de defender os direitos dos cidadãos, facilitamos a manipulação e a corrupção no âmbito da politica e perdemos uma oportunidade ímpar de exercício de cidadania (cf. CNBB, Doc 105, 266).

Mais uma vez, agradeço este Título que me é conferido, o que me vincula mais ainda a esta cidade de Ribeirão Preto e me torna mais responsável também pelo seu crescimento em solidariedade, fraternidade e paz; renovo minha gratidão á Câmara Municipal e a todos os vereadores e vereadoras bem como a presença de todos aqui nesta noite.

Muito obrigado a todos.

Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto

Fonte: http://www.arquidioceserp.org.br/noticias?id=10213

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